quinta-feira, 14 de março de 2013

Nossa visão do terapeuta

Nossa visão do terapeuta é que ele é semelhante àquilo que o químico chama de catalisador, um ingrediente que precipita uma reação, que de outra maneira poderia não ocorrer. Ele não determina a forma da reação, que depende das propriedades reativas intrínsecas das substâncias presentes, e tampouco participa de qualquer composto que venha a ser formado com sua ajuda. O que ele faz é simplesmente dar início a um processo, e há alguns processos que, uma vez iniciados, são automantenedores e autocatalíticos. Admitimos ser este o caso da terapia. O que o médico põe a funcionar, o paciente continua sozinho. O "caso bem-sucedido", não é uma "cura" no sentido de um produto acabado, mas uma pessoa que sabe que possui ferramentas e equipamento para lidar com os problemas à medida que estes surjam. Ele ganhou espaço para trabalhar sem ser estorvado pelas bugingangas acumuladas de transações iniciadas mas não acabadas.
Em casos tratados sob essa formulação, o critério do progresso terapêutico cessa de ser uma questão de debate. Não é questão de "aceitação social" aumentada ou melhores "relações sociais", visto pelos olhos de uma autoridade estranha e auto constituída, porém a própria tomada de consciência, por parte do paciente de sua vitalidade elevada e modo de funcionar mais efetivo. Embora os outros possam também notar a mudança, a opinião favorável deles a respeito do que aconteceu não é o teste para a terapia.

(Texto retirado do livro: Não apresse o rio (ele corre sozinho), de Barry Stevens, página: 38)

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